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Saturday, June 17, 2006
Na agência

Olhei a base da Agência e suspirei fundo.
Talvez estivesse ficando velho.  Talvez eu tivesse nascido tarde demais.  Quem sabe?  Toda aquela gentileza simplesmente não combinava comigo.  E eu me me perguntava se não havia virado uma peça exótica de algum museu mandeano.  A taxa de crimes praticados por humanóides havia chegado a zero a pelo menos duas décadas.  É claro que eu não considerava crime as ações dos andróides metaluzianos.  E isso era algo que aborrecia a maioria.  Que se danem!
Como sempre, pessoas vestidas impecavelmente, com sorrisos admiravelmente impecáveis, com olhares bondosamente impecáveis e palavras  gentilmente impecáveis, me recebiam.  Então, lá estava a tropa de agentes da Associação Mandeana de Proteão do Universo. Universo? Claro...impecavelmente iludidos.
No canto da sala estava Valentina, vindo em minha direção com aquela disposição jovial.  Ela era o protótipo daquela geração mandeana: acreditava nos valores superiores, na capacidade do grupo, na ressonância entre todos os seres vivos. E , é claro, achava que podia me ajudar em alguma coisa.
O uniforme lhe caía bem, porém, esse era o tipo de pensamento que por ali seria considerado um insulto.
Mais uma vez repirei fundo.  Cacete! Como ela estava entusiamada.
Ela parou a minha frente para me cumprimentar, porém fiz um pequeno gesto para que ela esperasse. Ela me olhou curiosa.  Na verdade, a agência inteira me olhava.  Eu precisava tomar algo para não explodir. Tirei um pequeno frasco do bolso do casaco e o tomei de uma vez.  Havia, pelo menos, três tipos de susbstâncias proibidas naquele líquido.  Eu deveria aguardar uns dois minutos para abrir a boca se não quisesse que o alarme tocasse.  Então, o chefe Johnson me deu um tapinha nas costas e me disse ironicamente:
-O alarme foi reprogramado, Furion.  Foi decidido que você é persona não monitorada, devido a seus serviços e seu carácter... impecável.
Jonhson olhou Valentina que parecia não entender direito o que se passava, porém, por vias das dúvidas, se aproximou mais ainda e sussurrou em meu ouvido:
-Não esqueça de deixar um desses em minha mesa antes de sair...
Ele se afastou me deixando diante da jovem no uniforme azul.
Me esforcei o máximo para sorrir. Pensei em várias coisas para dizer.  tentei, ao máximo, parecer simpático, esse tipo de coisa.  Fiquei quase uns vinte segundos sem saber o que dizer.  Então desisti.  Era melhor ser eu mesmo.
- Obrigado por acabar com minhas férias.  Vamos acabar logo com isso.  Onde está a porcaria desse andróide bastardo assassino?

postado por Furion


Posted at 09:21 am by yazelovit

 

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